NADA DE NOVO
Eu sei
preciso desse advento,
dessa notícia que não chega,
na quietude ensurdecedora,
o grito dos trocadilhos.
Sinto o calafrio na espinha
o pavor masoquista de quem
não controla ímpetos e impaciências,
deduzidos da variável solidão.
Os pensamentos incertos,
tornam-se angustiantes até;
num queimor que vive no estômago
e rivaliza nas variações irreflexas
de uma mente, que (ao que parece)
não sabe cuidar.
Vou passar a fazer o que dizias ser a solução:
Não pensar.
Esquecer que existo, viver na franja da noite,
saciar a fome de uma ansiedade
afogando-se na flacidez de um copo
que se degusta, sem oposição.
...in CAFÉ SOLO de Miguel Pires Cabral
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