sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Hallooween sem fim...

Em dia de Halloween, eis o testemunho do meufelinho.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O Mostrengo

( Desenho do meufelinho )


O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou trez vezes,
Voou trez vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou trez vezes,
Trez vezes rodou immundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-rei D. João Segundo!»

Trez vezes do leme as mãos ergueu,
Trez vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer trez vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quere o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
D' El-rei D. João Segundo!»


Fernando Pessoa ( Mensagem )

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Recortes ...


Um autocarro que levava sonhos da realeza.
Uma trotineta para ir à " limonesa ".

Uma ventoinha para refrescar o monte porque a terra estava seca.
Um menino feliz por ter a gatinha por companhia.
( Desenhos e legendas do meufelinho )

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Confusão de sentimentos...

O gesto repetia-se sempre que entrava em casa viesse de onde viesse. Das compras, do café, do trabalho… Ansiava que o ritual de trocar imediatamente aquilo que calçara para sair pelas tão desejadas “ havaianas “ não se repetisse.
O seu desejo perdia-se quando, de repente, ouvia aquele estalar de chinelo no pé, que tanto o incomodava.
“ Qualquer dia saio daqui, já não suporto este incómodo ruído. Fora daqui deve haver sons bem mais agradáveis do que este estalar de chinelo no pé. “
Numa manhã calma de brisa leve mas fria saiu daquele que tinha sido o seu lar durante alguns anos.
“ Vou descobrir novas quimeras. Se ela saiu tantas vezes, agora é a minha vez de ver o mundo para além deste lar. “
Havia já passado algum tempo de múltiplas descobertas. No início, achou que perdera muito tempo da sua vida tendo ficado no seu confortável aconchego, mas, em determinadas situações, a saudade apertava. Tentou ser guerreiro e enfrentar as batalhas, mas houve um momento em que a decisão de regressar martelou de tal forma no prego da sua consciência que o levou a pôr pés ao caminho.
Sucederam-se as horas e as semanas, até que, finalmente, encontrou a habitação amarela onde sempre fora tratado como um lorde. A porta principal estava entreaberta. Paulatinamente, entrou com o receio de ser apontado e expulso como fora tantas vezes de outros locais desde que dali saíra. Não encontrou ninguém. Depois de avançar alguns passos receosos, esbarrou com as tão odiadas “havaianas”, que se encontravam no chão da cozinha. Sem mais cautelas e receios, colocou a parte do corpo que mais agressões sofrera nos últimos tempos em cima daquele objecto e adormeceu profundamente…