O seu desejo perdia-se quando, de repente, ouvia aquele estalar de chinelo no pé, que tanto o incomodava.
“ Qualquer dia saio daqui, já não suporto este incómodo ruído. Fora daqui deve haver sons bem mais agradáveis do que este estalar de chinelo no pé. “
Numa manhã calma de brisa leve mas fria saiu daquele que tinha sido o seu lar durante alguns anos.
“ Vou descobrir novas quimeras. Se ela saiu tantas vezes, agora é a minha vez de ver o mundo para além deste lar. “
Havia já passado algum tempo de múltiplas descobertas. No início, achou que perdera muito tempo da sua vida tendo ficado no seu confortável aconchego, mas, em determinadas situações, a saudade apertava. Tentou ser guerreiro e enfrentar as batalhas, mas houve um momento em que a decisão de regressar martelou de tal forma no prego da sua consciência que o levou a pôr pés ao caminho.
Sucederam-se as horas e as semanas, até que, finalmente, encontrou a habitação amarela onde sempre fora tratado como um lorde. A porta principal estava entreaberta. Paulatinamente, entrou com o receio de ser apontado e expulso como fora tantas vezes de outros locais desde que dali saíra. Não encontrou ninguém. Depois de avançar alguns passos receosos, esbarrou com as tão odiadas “havaianas”, que se encontravam no chão da cozinha. Sem mais cautelas e receios, colocou a parte do corpo que mais agressões sofrera nos últimos tempos em cima daquele objecto e adormeceu profundamente…
3 comentários:
O efeito surpresa tornou o teu texto ainda melhor! Parabéns. :)
Beijocas
P.S. - Amanhã não pode haver café... há vindima.
Ganhaste um amigo no inimigo do chinelo?? hehe
bjoca
Minha amiga este texto induziu-me a um erro, que melhor não fora...
Por momentos pensei no Fiel amigo perdido.
Parabéns pelo conteúdo e pelo amigo que ganhou...
Beijinhos
Amélia
Postar um comentário